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Em meio a desafios, SINTIFRJ mobiliza categoria em busca de direitos

2020 foi um ano incomum para todos com a chegada da pandemia da Covid-19 no Brasil e no mundo. Nós, do Sindicato dos Trabalhadores do Instituto Federal do Rio de Janeiro (SINTIFRJ), passamos a realizar nossas atividades de forma remota e mesmo com todos os desafios, as lutas não pararam. Ancorados numa gestão sindical de combatividade, autonomia e viés classista, ao longo do ano, preparamos ao todo 55 lives organizadas sobre os mais diversos temas. 22 delas, por exemplo, abordaram as temáticas de educação, trabalho, política nacional e internacional para os filiados e seguidores. Quer saber o que mais o sindicato realizou em 2020? Leia matéria abaixo:

Antes da pandemia, ainda no início de 2020, estivemos presente no Seminário de Carreira do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE), realizado no Rio de Janeiro. Nele foi discutida a concepção de carreiras tanto dos técnico-administrativos, quanto dos docentes. No mesmo período, apoiamos inúmeras lutas em curso, como a Greve Nacional dos Petroleiros, que defendeu a redução do preço dos combustíveis e gás de cozinha, além da defesa do emprego e dos direitos dos petroleiros.

Em março, com o aumento dos casos de coronavírus no país e com as medidas sanitárias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as atividades presenciais do Instituto Federal de Educação do Rio de Janeiro (IFRJ) foram suspensas e novos desafios relacionados ao mundo do trabalho surgiram: acesso à internet, universalização do ensino, excesso de atividades de trabalho, novas formas de organização da categoria, entre outros. Diante disso, o nosso sindicato logo convocou a categoria para debater estas e outras questões em assembleias virtuais. Cerca de 14 assembleias foram realizadas, algumas delas contando com a participação de mais de 100 pessoas.

Ao longo de todo o ano, os ataques à Rede Federal e ao funcionalismo público, como a proposta de Reforma Administrativa – que ainda está em curso no Congresso Nacional e que flexibiliza e retira o direito dos servidores – foram os principais temas abordados nas assembleias. Nós, do SINTIFRJ, nos empenhamos em debater sobre as atividades pedagógicas, propondo resoluções alternativas ao Conselho Superior (Consup), promovendo debate com especialistas da educação e com membros da reitoria, prestando assessoria jurídica a seus sindicalizados, emitindo pareceres críticos a portarias governamentais, realizando reuniões de negociação com a reitoria, posicionando-se em articulação aos espaços estaduais e nacionais de unidade de ação de servidores públicos e de trabalhadores da educação, dentre outros, tudo isso debatendo permanentemente com a sua base. 

A campanha pelo #adiaenem, defendida pelos estudantes, foi endossada pelo nosso sindicato e outras organizações que defendem a educação pública. Nos posicionamos política e juridicamente contra a tentativa de fechamento do campus de Belford Roxo, apoiamos as decisões acertadas da reitoria e não tivemos dúvidas em nos colocar criticamente sempre que a gestão da reitoria agiu de forma pouco democrática ou contra as decisões da assembleia dos trabalhadores. Fomos intransigentes e continuamos a defender a educação integral, gratuita e a preservação de nossos servidores. 

O Dia em Defesa do IFRJ, organizado em dezembro, foi um dos eventos online de destaque envolvendo a participação de toda comunidade, especialistas da educação, entidades sindicais, reitoria e parlamentares contra os cortes orçamentários para a Educação. Sempre fomentando a participação da categoria, promovemos a discussão do ensino remoto, a decisão do IFRJ sobre as Atividades Pedagógicas Não Presenciais (APNPs), e a reivindicação sobre a universalização do acesso digital.

Mediante decisão de assembleia deliberativa, nos posicionamos criticamente em relação a decisão institucional de substituição das aulas presenciais pelas APNPs por entender que o ensino remoto não confere à educação integrada os elementos pedagógicos básicos para sua viabilização, com acesso desigual para os mais pobres, além de dialogar com as possibilidades de programas privatistas como o novo ‘Future-se’. Não nos cansamos de fazer uma política de exigências à reitoria e ao governo federal no que se refere a universalização do acesso digital.

Para Michel Torres, coordenador geral do SINTIFRJ, este tem sido sem dúvidas o período mais difícil para nosso movimento sindical. “É muito mais complexo mobilizar a categoria à distância. Estamos em uma encruzilhada do ponto de vista da mobilização política. Por um lado, não podemos colocar o nosso bloco na rua com o peso necessário e à altura dos ataques que estão colocados à educação federal e aos direitos do funcionalismo público. E, por outro, a turma teve muita dificuldade de se adaptar. Ainda assim, fomos a seção sindical que mais realizou assembleias digitais e também fortalecemos a nossa comunicação digital”, destacou o dirigente sindical.

Também proporcionamos cursos para a política de formação sindical, um sobre a Reforma Administrativa, e outro repartido em três aulas sobre o Manifesto Comunista. Foram dadas dicas de leitura recorrentemente, como a sobre o livro Desmilitarizar: segurança pública e direitos humanos e o artigo A Educação Pública Sob Fogo Cruzado: conversa com Gaudêncio Frigotto. Nós sempre participamos do calendário nacional de lutas proposto pelas entidades, de maneira muito ativa, por exemplo, esteve presente no ‘Fora Bolsonaro’ de agosto e também no ‘Protesto do Hospital Universitário Antônio Pedro’, em maio.

Ao longo de 2020 realizamos a ‘Campanha da Solidariedade à Vida’, que teve como objetivo apoiar iniciativas organizadas por coletivos e movimentos sociais que desenvolvem ações de prevenção e combate ao coronavírus, estimulando mutirões e comitês de solidariedade nos campi do IFRJ. A campanha beneficiou ao todo 27 grupos, além de mobilizar R $213.972,31 de apoio financeiro. Realizamos uma das maiores campanhas de solidariedade à vida no país. Para esta atividade faremos uma matéria a parte e você poderá acompanhar no nosso site.

Outras temáticas de interesse da sociedade também foram encampadas pelo nosso sindicato

No combate às opressões, a temática da violência doméstica tomou as redes sociais ao longo do ano passado por causa do aumento de violações. O Ligue 180 registrou em 2020 o aumento de 36% em casos desta violência. Mais uma vez nos mobilizamos com recomendações de denúncia via online. Foi um ano também de apoiar Mariana Ferrer, como foi feito na manifestação que foi organizada para ela, e lembrar que a luta contra o machismo ainda é longa.

Debater sobre o racismo também foi necessário. 2020 foi o ano das mortes de George Floyd, João Pedro e João Alberto, todas em decorrência dessa doença social. Além de nos pronunciarmos publicamente no Dia da Consciência Negra, também realizamos uma lives abordando a temática do racismo estrutural na Educação Pública e sobre os desafios da luta antirracista no Brasil de 2020.

Por fim, todos precisam de um momento de lazer, por isso organizamos lives culturais todas as sextas-feiras. Nomes de artistas vinculados às lutas sociais, como Nina Rosa, Som de Preta, Rafael Lima e Francisco Prandi e Ana Stinghen ocuparam as sextas. A live musical da Ana e do Francisco, trouxe canções latino americanas de luta junto com as histórias que iam contando. Todas elas você pode encontrar na página do Youtube do SINTIFRJ.

Estas foram algumas das nossas ações no ano passado, agradecemos a cada um que acompanhou e participou de cada uma dessas ações. Nosso programa permanece estruturado em torno da defesa da gestão democrática e classista, do funcionalismo público e da não retirada de direitos, da resistência ao contexto antidemocrático e ao neofascismo, e da defesa dos Institutos Federais. 2021 será um ano de muitas outras lutas, mas a mais importante nesse momento é pelo direito à vacinação a todos de forma acessível e gratuita. E que consigamos manter nossas atividades e elaborar outros grandes projetos de luta pela educação pública e de qualidade! Vamos juntos e juntas!

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