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SINTIFRJ defende a universalização do acesso aos estudantes e servidores

A universalização do acesso que não foi atingida até o momento, a garantia do ensino remoto emergencial e não permanente são exigências essenciais agora

Depois da decisão de retomada das atividades institucionais e do surgimento da questão de inclusão para os alunos sem internet e equipamentos, o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), por meio do Edital 03/2020 da Pró Reitoria de Extensão (PROEX) e Edital 01/2020 da Pró-Reitoria de Desenvolvimento Institucional (PRODIN), órgãos executivos dos Institutos, estabeleceu o Auxílio Conectividade, que gira em torno de R$ 600,00 e serve para comprar modems, tablets, entre outros. 

Entretanto, não foram cumpridos os prazos da entrega dos dispositivos contratados aos estudantes e servidores, inclusive o deste último dia 30 de novembro. Muitos ainda seguem sem acessibilidade. Precisamente, esta é a pauta prioridade do Sindicato dos Trabalhadores do Instituto Federal do Rio de Janeiro (SINTIFRJ) durante o período das Atividades Pedagógicas Não Presenciais (APNPs), exigir que todos os estudantes tenham direito à acessibilidade digital. Sem essas condições, o Sindicato tem em vista um adiamento das atividades.

“Nossa exigência, caso não haja garantia que os estudantes tenham conexão, é que se reformule o calendário de maneira ampla e democrática com a comunidade, para que nenhum estudante fique para trás. Ao contrário disso, estará se reforçando uma política de exclusão social e digital muito forte.” relata Michelangelo Torres, professor do campus Pinheiral, doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Campinas e coordenador Geral do SINTIFRJ. 

Além disso, a exigência do Sindicato é que a política das APNPs ocorra em caráter emergencial e temporário, não permanente, negando a proposta de ensino híbrido. Para eles, o ensino remoto contraria a concepção dos Institutos Federais, inclusive do ensino integrado, que conta com atividades práticas, em laboratórios, sala de aula, por exemplo. Ademais, retira a autonomia docente e abre caminho para as plataformas digitais, dentre elas, muitas que são de cunho privatizantes. “A qualidade educacional vem com o ensino integrado. É uma concepção muito forte que temos e não abrimos mão. É uma forma de precarizar o ensino e as condições de trabalho.” disse o coordenador. 

Desde a decisão do retorno do calendário acadêmico, os coordenadores e integrantes do Sindicato acreditaram que o processo de decisão foi feito de maneira antidemocrática, pois não passou pelas instâncias do conselho de deliberação e também obedeceu às pressões externas da volta às aulas. A consolidação do ensino remoto é vista como uma ofensiva que o empresariado da educação tem se apropriado para recuperar projetos de privatização. Acredita-se também, que a intenção de aplicação do ensino remoto ou híbrido dialoga com a Reforma do Ensino Médio e com o Future-se. 

Por fim, outra pauta continuamente defendida pelo SINTIFRJ e pelas direções das Instituições no geral é que “Enquanto houver pandemia, a nossa luta também é para que não se tenha retorno presencial das atividades, enquanto não houver condições sanitárias seguras (vacinas, imunidades do vírus). Caso ocorra, o SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica Profissional e Tecnológica) entrará em greve.” finaliza Michelangelo. 

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